Arquivo para Poesia

O arquiteto engenheiro em poesia de João Cabral de Melo Neto

Posted in Crítica, Poesia with tags , , , , on setembro 9, 2010 by bosiarquitetura

Em 1945 João Cabral de Melo Neto publica o poema e o livro homônimo O engenheiro. Nessa obra o escritor mostra uma das influências que ele seguiu até sua ultima obra: os escritos teóricos do arquiteto Le Corbusier.

Influenciado por esse arquiteto, João Cabral traz ao poema O engenheiro a penetração da realidade no mundo onírico. Um desejo mostrado por Le Corbusier no seu artigo Estética do engenheiro, arquitetura (Corbusier, 2009). Segundo ele, o arquiteto deveria abandonar seu método de criação onírica para, como o engenheiro, projetar conforme a realidade da época.

“A luz, o sol, o ar livre
envolvem o sonho do engenheiro.
O engenheiro sonha coisas claras:
superfícies, tênis, um copo de água.”
(De Nadai, Campedelli, & Abdala JR., 1982, p. 16)

Esses versos “já indicam o cerco… efetuado pelo natural sobre o sonho” (Secchin, 1999, p. 40) mostrado anteriormente. Esse trecho também é um lembrete à teoria do arquiteto anteriormente citado, onde “as formas primárias são as mais belas porque se leem claramente” (Corbusier, 2009, p. 11). É a realidade que deve penetrar o sonho que se transformará em arquitetura.

Os elementos naturais da estrofe citada serão geometrizados, transformados em lápis, esquadro, desenho e projeto na segunda estrofe. Assim, há a transcrição do natural para o projeto do engenheiro/arquiteto.

Bibliografia

Corbusier, L. (2009). Por uma arquitetura. São Paulo: Perspectiva.

De Nadai, J. F., Campedelli, S. Y., & Abdala JR., B. (1982). Literatura comentada: João Cabral de Melo Neto. São Paulo: Abril.

Secchin, A. C. (1999). João Cabral: A poesia do menos (2ª ed.). Rio de Janeiro: Topbooks.

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Vinho

Posted in Poesias, Solidão with tags , , , on setembro 9, 2010 by bosiarquitetura

Quando me sinto só,

uma garrafa de vinho

toma o seu lugar.

.

Não importa onde estou,

sempre há solidão.

.

Ajoalhedo a seus pés,

entreguei tudo,

do jeito mais pitoresco.

Mas continuei

só com o vinho.

Preciso te ver

Posted in Poesias, Românticas with tags , , , , on agosto 25, 2010 by bosiarquitetura

Preciso te ver novamente.

Quero tocá-la,

sentir pele-a-pele

a sua pele de pêssego.

.

Doces lábios,

ainda vermelhos,

cheios de desejos,

prontos ao prazer.

.

Preciso te ver novamente.

Novamente ter ao ouvido

sua voz suave,

sedutora sereia.

.

Olhar divino,

feminino,

profundo.

Cheio de carinho.

.

Preciso te ver.

Diário

Posted in Intrapessoal, Poesias with tags , , , on agosto 22, 2010 by bosiarquitetura

Diário poético.

Vida aberta, vida ao mundo.

.

Diário. Diário.

Amor em versos,

aberto a tudo.

.

Te conto em rimas,

o que guardo mudo.

Anedota americana

Posted in Poesias, Sátiricas with tags , , on agosto 7, 2010 by bosiarquitetura

Era uma vez um presidente americano

que caçava árabes.

Quando lhe disseram que também se caçava americanos,

ficou muito espantado

e achou uma barbaridade.